A tuberculose me pegou de jeito, não tive escapatória, parece que agora estou a espera do Dia D. Sinto que mais que nunca, estou a sós comigo mesmo, numa contradição triste e assustadora. Alguns dizem que estou virando um velho lanfranhudo. Pois bem, sei me virar sozinho.
As cousas parecem estar serenas. Quando minha vista não está cansada, eu leio o jornal de manhã e sinto que há muitas cousas escondidas por trás daquelas manchetes. Outro dia estava lendo a Folha e me indignei. A respeito daqueles tenentes, soube que depois dos dezoito homens que causaram tamanha desordem no Forte de Copacabana, fizeram um segundo levante em São Paulo. Armaram barricadas e trincheiras pela cidade, bombardearam, um quiproquó danado. Uma lástima na verdade, o Brasil está indo por àgua abaixo. Como não causou muito efeito, parece que marcharam até Foz do Iguaçu e se juntaram às tropas de Luís Carlos Prestes. Parece que o objetivo era criar uma onda revolucionária grande o suficiente para derrubar a oligarquia. Não há oligarquia, ora essa ! Os mais fortes estão no poder em qualquer parte do mundo. Soube que caminharam milhares de quilômetros pelo sertão do país ensinando o povo a pegar em armas para combater as forças do governo. Sejamos sensatos, meus caros: se nem Canudos resistiu com seus 30 mil homens, como é que eles esperam sertanejos sem treinamento algum ir contra a força brasileira? Uma tolice, de fato. Não se soube mais muito deles. Um ou dois anos depois, se refugiaram na Bolívia, sabe-se lá por que. De certo se deram conta de que não passam de moleques que não sairam de suas fraldas, e que carregam dentro de si a Elite que nunca os deixará compreender por completo a realidade do sertão brasileiro.
Algum tempo depois, Luís Carlos Prestes se aliou ao Partido Comunista do Brasil. Espero que por fim, ele tome tenência de gente.
Agora vou tomar meus medicamentos e me preparar para um novo amanhecer, a espera de um país essencialmente brasileiro.
Espero que o senhor tenha tomados seus remedios e que sare rápido para ver que esses rebeldes não conseguem lidar com esse nosso governo que se esforça tanto para que todos tenham uma vida boa. Sempre estamos tentando melhorar o Brasil rápido e na medida do possível. Mas parece que esses revolucionarios não percebem isso. Aproposito, esses jornalistas atuais estão junto desses revoltados que quase nunca percebem como nosso país é bonito e justo.
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ResponderExcluirMeu caro major, venho me abstido de declarar tamanha indignação que sinto com a expressão dos pensamentos de uma mente tão pequena. No entanto, decidi manifestar-me: já é mais que tempo de assumir o dever de defender aquilo que minha liberdade subsidia. Ora, não consegues ver as falhas no sistema que rege nossa pátria? Se não é uma oligarquia, o que seria? É fato que poucos comandam este país. E, até onde o dicionário me permite ir, oligarquia é um pequeno grupo de pessoas imperando no poder. Já que achas que a movimentação é mera tolice, por que não deixas estar? "Ao vencedor, as batatas!". Justiça seja feita e o poder seja entregue àqueles cuja capacidade imensurável conduzirá o povo brasileiro ao ápice da moralidade e da educação!
ResponderExcluirFrancamente,
Amália Azevedo.
O número de brasileiros felizes e satisfeitos com as condições políticas e sociais era muito baixo. O Tenentismo havia “chegado” para melhorar a vida da população. Não era apenas uma ideologia, mas sim, um movimento de apelo social (civil e militar).
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